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terça-feira, 17 de maio de 2011

Veia Cômica

Um garoto qualquer levantou super cedo para fazer um exame nada qualquer: o de sangue.


- Ei, mocinho! Prefere a agulhada no braço direito ou esquerdo? 
                 Perguntou a sorridente professora.


- No que estiver tremendo menos. 
                 Respondeu tremelicando o rapazinho.


- Xii... então terei que esperar horas.
                  Tentou fazer graça a enfermeira, que já não mostrava todos os seus dentes no sorriso.


Contrariando sua fala anterior, Lúcia, numa velocidade anormal, engatou todas as ampolas deixando as seringas com um ar criminoso.


O garoto se transformou diante dessa situação: ficou estático. 


Enquanto o álcool esfriava o braço do garoto, Lúcia parecia ter bebido litros e litros. Sua gargalhada já ecoava por toda a clínica.


Não havia saída diante daquela situação. O jeito era entregar todos seus glóbulos coloridos àquela mulher-da-seringa-na-mão.


- Fique com o braço parado. Não se mexa! 
                    Aconselhou num tom ameaçador a gentil enfermeira.


Como se ele fosse se mexer!


Na primeira tentativa, nada. Parece que a veia tinha dado um drible na seringa 1. Vieram mais cinco tentativas com a mesma seringa e o baile da veia continuava.


- O que está acontecendo?
                    Já enraivecida, bradou Lúcia.


- O que está acontecendo?
                    Com medo de represálias ao falar, pronunciou em sua mente o menino. 


Descontente, a enfermeira fechou a clínica. Desmarcou todos os pacientes do dia, trancou a porta, escureceu a sala, foi no cofre e pegou as perigosas seringas de titânio revestido de mercúrio, fósforo, cobre e zinco (o titânio) e ouro, prata, bronze, cobalto e granito (as seringas). 


- Agora vamos acabar com isso!
                   Gritou no ouvido esquerdo do pobre garoto que com certeza deve ter ficado surdo diante de tantos decibéis.


Com suas seringas a mão, Lúcia mergulhou toda a sua vontade nos dois braços do garoto ao mesmo tempo.


As quatro seringas foram ludibriadas pela veia do garoto mais uma vez. 10 seringas! Nova tentativa... era quase um "braçocídio" que a enfermeira queria cometer, mas de novo as seringas caíram no samba.


Depois de tanto esforço, Lúcia desistiu e largou lá o garoto e a sua veia....


... Cômica.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estranho Baby

Quando eu nasci não veio nenhum anjo safado dizendo que eu ia me dar mal etc e tal...


“Opa, que sorte, me dei bem” foi o que rapidamente pensei.

Mas também não lembro de angelicais mocinhas me pegando no colo e preparando colheradas de farinha pra colocar na papinha.

“Opa, que azar, me dei mal” velozmente raciocinei.

Hummm.... havia algo estranho!


Lembro-me desse “hummm” como se fosse anteontem (logo, não me lembro direito).

Seria eu um baby recém nascido que teria um futuro esbelto pela frente?

Ou

Seria eu um baby recém nascido que nem futuro pela frente teria?

“Nossa, que triste” exclamei, sem exclamação.

Naquela cidade tão linda e tão bela, cercada de terra por todas as partes, teria nascido o mais próspero dos filhos ou o mais esquecível dos seres de Marte?


Confesso que “Marte” só foi pra rimar... mas problemas não há.... é melhor aproveitar as pobres rimas de agora do que esperar poesia na hora do bebê aqui ir embora.

E a despedida da fase da Maternidade não foi nada poética. Tentei ainda levar uma prosa com a enfermeira, mas nada de papo, eu teria realmente que deixar minha velha morada de algumas horas.

Eu era (ou sou), [não-sei-muito-bem-quem-sou-eu-na-narrativa] um baby muito estranho. 

Minha perna direita era mais forte que a esquerda...

Que loucura mais louca, pensei eu.

Mas acho que é porque eu tinha malhado um pouco na barriga da Mamys.

Nossa, mas e essa perna direita? É mais comprida do que a outra...

Desesperei-me tanto que um parágrafo único, inteirinho para ele, esse desespero merecera.

Ah, desculpe-me. Nem sei o que falar agora.

(parágrafo de vergonha)

(parágrafo de vergonha II)

Na verdade, percebi ....

(parágrafo de vergonha III)

SIM, EU PERCEBI! Não era bem a perna esquerda que os meus olhinhos inéditos tinham acabado de ver...

Ah, vocês entenderam...

Mas como sou um baby educado , minha boca ainda não está treinada para falar esse tipo de coisas. Nem dente eu tinha.

Mas o que importa é que eu tinha nascido e finalmente poderia dar o ar das graças nesse novo mundo.

Se eu nasci para ter um futuro esbelto pela frente provavelmente saberei mais tarde...

Se eu nasci para nem futuro ter nessa vida também saberei...

Em breve voltarei a escrever um pouco da minha vida pós-nascimento.

Beijos do Baby!