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domingo, 4 de agosto de 2013

Sujo de sonho


Um terço de vida
Momentos rarefeitos
Um peso de vida

Bússola travada
Ponteiros desapontados
Um vão sem fim

Desalimentado de fé
De sorrisos
E de sossego

Olhos fitando o tempo
À espera da tal virada
Os pés tocavam o chão


Sujo de sonhos


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pra sonhar... Tem que acordar!

Certa manhã não acordaram na hora de costume
Ficaram mais tempo na cama
Tinham decidido sonhar...
...Até mais tarde

Fizeram com que todos lembrassem
Que não há hora para o sonho
Nem sempre ele vem juntinho ao ato de se deitar
Mas é necessário saber que para ele acontecer
Ah, você sempre tem que acordar.

Enquanto um deles mantinha o despertador ligado a cada sonho
O outro conseguia fazer com que a cada dia
Seu sonho acordasse cansado e mal dormido



Cheio de olheiras, o sonho deste sonhava acordado a cada dia.
Já o daquele fazia Cooper, pois sabia que precisava se manter muito bem cuidado.
Se encontraram eles e os seus sonhos (às vezes respectivos, às vezes não)
Um fazia alongamento já prevendo o longo caminho que o esperava
O outro bocejava a cada passo, só não quando cuidava das câimbras.

E prometeram seguir

Depois de alguns degraus
O atlético sonho estava intacto reverberando saúde e determinação
Enquanto o preguiçoso já tinha parado mais vezes...
...Do que o número de degraus existentes naquela escadaria decisiva.

Munido de preguiça, o sonho retardatário oscilava entre “desistente e quase desistente”
Mãos no degrau, joelho no chão, lágrimas nos olhos
Queda seguida de decepção
Desistir? Não!
Mesmo manco o sonho ainda rastejava
E conseguia impor alguma coisa naquele rapaz.

E a subida continuava...
O Sonho maratonista já nem era avistado
- Não adianta binóculo, oh curioso sonho quase desistente!

Uma das opções de quem já caiu
É subir de qualquer forma
Sim, os fins justificam os meios e até os inícios,
Pensava o esfomeado sonho.

Dotado de sua visão meramente “umbigal”
Decidiu se apossar de todos os atalhos daquela escadaria
Praticamente se rebatizou, pois ninguém mais o conhecia

Armações aqui, atalhos e retalhos acolá
A rasteira foi dada por um dos seus próprios pés
Patinou, se trombou e caiu.
E como caiu.

Parecia que a escadaria tinha trocado de lugar com um precipício
Mãos no degrau, joelho no chão, lágrimas nos olhos

Bradou aos sete ventos
E aos cinquenta degraus
Que não mais o conhecia
Que nem sequer sabia
O que estava fazendo ali

E foi só na última queda
Que ele percebeu
Que o chão não era quebrado,
 O piso não patinava,
Nem a escada era tão íngreme assim

E sim, a forma de pisar... Que não era adequada
O sonho... Que não foi bem cuidado
Quem o ajudou a perceber tudo isso?
O saudável sonho que já levantava seu merecido troféu
Lá no cume da escadaria

Com humildade ele lhe estendeu a mão
O levantou do chão
E o lembrou que é sempre tempo de recomeçar

Mas que pra sonhar, tem que acordar.


domingo, 6 de novembro de 2011

Retorcidos Sonhos

Descalça andava a confiança do forasteiro.

Numa corrida com a sorte
Para trás ficara
Antes mesmo do tiro inicial

Depois de tantas quedas
Pular barreiras era difícil
Transpor, impossível

Decidiu mudar de lado
Deu as mãos ao azar
E seguiu tortuosamente em linha reta
Até a última curva de sua vida.

Antes da derradeira virada
Lembrou-se do que havia catado
Em muitas das suas paradas:
Eram objetos, palavras e carinho.
Eram beijos, moedas e desejos.
Eram sonhos retorcidos, mas eram sonhos.

Estes dividiam espaço na poeira do seu bolso
De que matéria eram feitos?
Não se sabia.
Nunca se soube.
Mas sabe-se que sofriam de insônia. Isso sim.

Para o seu bem ainda estavam acordados
Mesmo depois de tudo que lhe ocorrera
Seus sonhos sofriam de insônia
Assim como a sua vontade
Como os seus desejos
Como o seu ímpeto que parecia deixar a latência de lado.

Eram retorcidos, empoeirados, quase esquecidos...
... Mas eram sonhos.