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sexta-feira, 8 de março de 2013

Esconderijo



Em cima da mesa, no canto da porta entreaberta
Sobre uma leve pintura que despistava o passado
Adormecia a única folha de papel
Que não tinha sido arremessada para longe dos domínios do velho escritor

As suas vizinhas tinham sido transformadas em cartas, bilhetes, papeis que adornavam ramalhetes e guardanapos
Nunca mais gastaria a pouca força de seus punhos com movimentos que lembrassem qualquer forma de escrita

Nas madrugadas esquecia-se das promessas feitas e lembrava seu passado de jovem escritor
Imaginava, como num sonho lúdico, tudo que podia fazer dando luz a suas criações
Antes do ponto final decidiu se aventurar no traiçoeiro jogo das palavras
Dessa vez se precaveu; afinal de contas, ser reconhecido novamente, jamais.


Pseudônimo
Esqueceu-se de ser canhoto
E tratou de aprender novos movimentos com a munheca.
Ele não poderia ser descoberto.
Uma imagem a zelar, um medo de se expor e uma imensa vontade de perceber que alguém lhe dava valor.

Decidiu suprir sua carência emocional namorando todas as palavras que surgiam em sua mente carente de descanso.

Sentou-se na mesma poltrona de antigamente com toda sua insegurança e sonho.
O lápis tinha vida própria na mão do novo escritor que acabava de surgir. Mais um escritor no mundo, que beleza!

Era um sujeito diferente, ousado em suas artimanhas e capaz de expor toda profundeza que a sua aparente superficialidade não demonstrava.

O assunto era sempre o mesmo. Os personagens, repetidos. O enredo igual. Porém, canastrão como tal inventava formas variadas, adornadas e enroladas de dizer a mesma coisa...
O mesmo assunto...
O mesmo sentimento...


talvez me esconda nos meus escritos
 talvez te esconda nos meus escritos”

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Escuro

Eu estou escrevendo no escuro.
Mas é no escuro mesmo.

Não é força de expressão.

Não tem metáfora alguma.

Engraçado.. escrever no escuro é como escrever no claro. Não muda muita coisa, já que minhas idéias há tempos andam no escuro.

Andam, não. Se batem, se amontoam, tropeçam e fazem a maior bagunça entre elas.

Como será escrever no claro?

Quando a luz do escuro se apagar, eu vou saber.

Enquanto isso... Escrever no escurecer.



terça-feira, 26 de abril de 2011

Reescritor

Parecia que nem sabia
E realmente não sabia
E de tanto não saber
Invadiu o pedaço de papel
[Que descansava em sono estático]
Com uma cortante
BIC cheia de azul para dar e vender
Era todo dia a mesma coisa
Pilhas e pilhas de informações sem nexo
Ele pousava
Aterrissava
Todas suas não-criativas idéias
Naquilo que quando era madeira...
Ah... Valia muito mais.
Os parágrafos se amontoavam
As cargas de caneta também
Os papéis depois de escrito ficavam mais vazios do que quando eram virgens.
As palavras feriam sem dó
Cada pedacinho de papel
[que corajosamente ainda esperava a picada da agulha de tinta]
Sentia na pele
Na sua textura
As loucas idéias do seu escritor, do seu re-escritor