Mostrando postagens com marcador Palavras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Palavras. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de março de 2013

Esconderijo



Em cima da mesa, no canto da porta entreaberta
Sobre uma leve pintura que despistava o passado
Adormecia a única folha de papel
Que não tinha sido arremessada para longe dos domínios do velho escritor

As suas vizinhas tinham sido transformadas em cartas, bilhetes, papeis que adornavam ramalhetes e guardanapos
Nunca mais gastaria a pouca força de seus punhos com movimentos que lembrassem qualquer forma de escrita

Nas madrugadas esquecia-se das promessas feitas e lembrava seu passado de jovem escritor
Imaginava, como num sonho lúdico, tudo que podia fazer dando luz a suas criações
Antes do ponto final decidiu se aventurar no traiçoeiro jogo das palavras
Dessa vez se precaveu; afinal de contas, ser reconhecido novamente, jamais.


Pseudônimo
Esqueceu-se de ser canhoto
E tratou de aprender novos movimentos com a munheca.
Ele não poderia ser descoberto.
Uma imagem a zelar, um medo de se expor e uma imensa vontade de perceber que alguém lhe dava valor.

Decidiu suprir sua carência emocional namorando todas as palavras que surgiam em sua mente carente de descanso.

Sentou-se na mesma poltrona de antigamente com toda sua insegurança e sonho.
O lápis tinha vida própria na mão do novo escritor que acabava de surgir. Mais um escritor no mundo, que beleza!

Era um sujeito diferente, ousado em suas artimanhas e capaz de expor toda profundeza que a sua aparente superficialidade não demonstrava.

O assunto era sempre o mesmo. Os personagens, repetidos. O enredo igual. Porém, canastrão como tal inventava formas variadas, adornadas e enroladas de dizer a mesma coisa...
O mesmo assunto...
O mesmo sentimento...


talvez me esconda nos meus escritos
 talvez te esconda nos meus escritos”

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Como é simples o amor

Quero falar de amor.

O amor é simples.

Qualquer um pode falar dele.

Ele não liga onde vai estar; apenas se importa se vai estar.

Cabe nas palavras, nos espaços, nas falas, nas pausas, nas respirações (principalmente as mais ofegantes).

Não entra em discussões.

Às vezes as palavras entram.

Aproveitando-se do seu dom gramatical desatam a falar... a pronunciar e a escrever, porém esquecem que muitas coisas são ditas sem dizer.

O amor é assim:

Está presente onde há palavras, está presente onde há espaços, onde há amizade, onde há gentileza, onde há nobreza, companheirismo, bondade, sorrisos, olhares, alegria, caridade, natureza, fé

E está ausente onde não há simplicidade.



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Títulos

Chega em casa; abre a geladeira; come tudo que encontra; vai pra sala; senta-se no sofá, fecha a geladeira; encontra um biscoito ainda não comido totalmente; volta pra sala; concentra-se e começa a escrever.
E o texto de hoje é...

Ok, ok... é uma crônica! Desde já, preparem-se: daqui pra frente vou berrar e espernear como o Jabor. “Oh, Senhor”, resmunga o encurralado leitor (que na verdade nem existe ainda).

Título: Crônica
Palavra, vírgula, palavra...

Não, não. Na verdade esse título não condiz com a história: aquela da velhinha que sofre de doença crônica. “Oh dó”, balbucia o triste e encurralado leitor”.

Título: Doença Crônica
Palavra, vírgula, palavra, ponto de seguimento...

Alto lá! Não é nada disso! Nem crônica, tampouco doença crônica. Tudo não passa de uma história cômica, com início, meio e fim. “Que perda de tempo”, pensa o triste, encurralado e agora pensativo leitor.

Título: História Cômica
Palavra, vírgula, palavra, ponto de seguimento, parágrafo...

Que previsível! Estrelato literário escrevendo historinhas cômicas? Impossible! Falta originalidade. “Neologismos onde estão vocês”, se questiona o leitor já cheio de adjetivos.

Título: História Mômbida!
Palavra, vírgula, palavra, ponto de seguimento, parágrafo, ponto final.