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domingo, 21 de dezembro de 2014

Metáfora

Enquanto te beijava, sonhava.
Te preenchia, te emoldurava
Também te pertencia enquanto metáfora

Se escondo o óbvio, garoto
Por não saber o que sinto
- Não é culpa minha
Sussurrava risonho o destino

Se te pertenço sem saber
Como haveria algo entre nós acontecer
Se um dia o realismo – que não seja fantástico – nos descrever
Quem sabe daí então haverei de me perder
E finalmente me encontrar nua e sua
em você. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Amor pra ninguém

O Amor que não existe
Que nunca foi inventado
Que vem após o fato consumado

O amor que eu nunca lhe ofereci
O amor que eu nem sei se tenho
E que me falta até seu significado

Dizem que amam por aí
Sugerem que amam por todo lá
Confuso, curioso, estranho
Nem sei ainda o que é amar.

Amar não é pra alguém
Amor é pra ninguém
É quando não há
Que surge então
A real possibilidade de amar




sábado, 10 de novembro de 2012

Quase


Com um não mais cheio de sim,
Negou qualquer possibilidade de mudança
O seu colorido mundo não precisava do preto e branco daquele rapaz
Ele era qualquer um daqueles, que fazia de sua vida uma conquista
Mas na dela, uma cruzada.

Com todas suas armas a postos
Tratou de diminuir milimetricamente a amplitude de seus sorrisos
Afinal de contas, essa seria uma arma letal contra qualquer sentimento vindo de lá

E de cá, o maléfico sentimento desferido pelo capataz de brilhante olhar
Parecia minar qualquer resistência que ainda lhe restara
Um crime
Um pecado
Dois absurdos eles eram.

Com um sim temeroso pelo não alheio
Afirmou a ela todas as possibilidades de mudança
Um balde de tinta pretendia arremessar bem naquela direção
Ela era uma daquelas que fazia da sua vida um desastre
Mas na vida do narrado rapaz, um milagre.

Com todas suas flores no bolso
Tratou de diminuir drasticamente a distância
Entre o coração pretendido e o que ainda pretendia

O plano do rapaz estava arquitetado
Nada poderia dar errado
Confiava no olho a olho
Pelo menos num dos

E sem enxergar o que ele via
De nada valia tudo aquilo
A poesia feita pra ela era indecifrável
Para percebê-la só alcançando um singelo estado
Um pedaço de simplicidade apenas

Com os olhos nus ele chorou seus sentimentos
Estrofes, rimas, versos sem pontuação
De nada adiantava
Os dela continuavam vestidos.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Inesgotável Arte de Amar



  
Que seja durante cinco minutos
Ou que dure até após a eternidade
Seja se conhecendo nos acréscimos da vida  
Ou mesmo se desencontrando na tal maternidade

Que venha de mansinho como um trator
Ou, assim como a brisa, que cause espanto
Que tenha deixado marcas profundas em você
Ou que você nem lembre tanto assim

Que tenha transformado cada pedacinho seu
Ou que até hoje catando esses pedaços você esteja
Que seja lascivo, como nós nunca desatados.
Ou puros, como nós nunca desatados.

Que seja sendo o que for
Já que será o que tem de ser
E se a ordem das coisas não posso muito mudar
Fico cá modificando apenas a forma, o jeito,
A intensidade, a razão, a necessidade, a vantagem,
A vontade, a capacidade, a poética...
...De te amar.

Mentira.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Beija Flor


Feito de ímpeto
Seu voo era contínuo
E estrategicamente arquitetado
Pelo exagero

Estações estavam sujeitas a leis
Impostas por cada ano que passava
O tempo, sempre sujeito às suas intempéries,
Também aprendera que havia pra tudo, tempo.

Nem ligando, o beija flor fazia de cada momento, um encontro
De cada encontro, um encantamento
E a cada encanto, um novo bater de asas era ouvido.

Todo dia amanhecia igual para aquele colibri
Deveria, sim, voar entre as flores...
O seu trabalho fazer.
Mas não lembro de terem mandado
Diversos amores florescer.

Quando um dom lhe é dado
Sua responsabilidade cresce
Mas para o aventureiro Encanta Flor
Preocupações pessoais? Ah, não padece!
Sentimento não é lá coisa para aves!
Satisfazer todas as flores
Enquanto a última gota de néctar houver
Sempre foi e sempre será...
...O que o nosso colibri quer.

Num dia como outro qualquer
O Don Juan de asas contava flores
Que ainda não tinham recebido
O encantado toque do seu bico

Para a sua surpresa
Próximo de um lago, uma linda flor existia
Como haveria ela de ficar sem a sua companhia
Foi o pensamento do colibri, é claro.

Numa velocidade acima do permitido
O conquistador preparou seus poemas
Camões, Drummond, Quintana, Neruda e até Bilac
Afinal de contas, vai que seu néctar seja daqueles

Ledo engano
Falho voo
Pobre colibri
Beijado pelo destino

Dotada de beleza
Envolta por simplicidade
Destituída de orgulho
A frágil rosa apenas lhe sorriu...
O sorriso de toda uma vida.

Vida, que para o beija flor
Parecia começar agora
Nunca uma colisão resultou nisso

Bico pra quê? Asas para voar pra onde?
O seu lugar era ali.
Néctar? Apenas um alimentaria seu coração.

Sentiu-se maior.
Maduro.
Trocou de nome: Ama flor
E amou...
Na intensidade da batida de suas asas...
A rosa.

Bata suas asas na direção do único néctar que realmente importa.
Você será feliz!


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Em meu Picadeiro

Percorria as mais distantes cidades
Com seu circo nas costas
Cada pedaço habitado de terra
Trazia consigo a oportunidade
Daquele bobo palhaço mostrar o seu show.

Cada ida transformava-se em vinda
Cada estrada, num retorno
Diante dos escassos aplausos da vida
Fazia das mímicas, coração
E das incertezas, oração.

Chegando numa cidade qualquer
Sabia que tinha pouco tempo para tudo
Seu coração batia em contagem regressiva
Não podia sequer se apaixonar
Era um palhaço
Apenas fazia rir.

Enquanto organizava a maquiagem
Subia a lona para a apresentação de mais tarde
Ele não viajava tão sozinho assim
Malabarista, domador, mágico e contorcionista
Todos estavam com ele
E ao mesmo tempo estava sozinho
Tinha um picadeiro em seu coração
Divertia a todos
Doava toda a sua alegria
E pouco lhe restava depois da boa ação

Seu circo não era tão grande assim.
Ainda faltava
Não sabia o quê, mas faltava.

Numa dessas cidades que teimam em não estar por perto
Seu picadeiro coloriu-se
O vermelho de seu nariz infestava como que por completo o seu coração
Diante de tudo isso
Ele gargalhava
Ria
Afinal de contas... Palhaço!

Pela primeira vez na vida parecia levar algo a serio
Decidiu fincar sua lona num só lugar
Se apossou dos malabares para assustar outros pretendentes de sua amada
Aprendeu mágicas para diverti-la
E prometeu fazer dela a mais amada, a sua sagrada.

E com tantas promessas, com tantos juramentos
Esqueceu-se do seu circo.
Do seu picadeiro.
Lá podia ter tudo...
Mas faltava equilibrista

Palavras desequilibradas pendiam de um lado pro outro
Incertezas dominavam
Juramentos assustavam
Promessas já de nada valiam

E antes do término do espetáculo
O equilibrista cai
...Em seu picadeiro.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Poesia

No início havia poesia
Tinturava a sua história no papel
Preenchia com linhas os momentos não vividos
E rasurava com força os amores que não vingaram
De tanto rasurar rompeu-se.

Por não entender o caminho que deveria seguir
Entendeu que deveria mudar
Aqui ou ali, sabe-se lá

Tapou os ouvidos para os conselhos amigos
Cegou-se diante de qualquer expressão artística
Calou a boca de todos com o seu silêncio

E quando todos já o achavam bem radical
Decidiu cometer uma atrocidade nunca antes imaginada
Matou aquela que tinha sido durante toda a sua vida
A sua única verdadeira amada:
A Poesia

Com um sangue nada quente partiu estrofes em vários pedaços
Até hoje resquícios são encontrados em terrenos não mais férteis
Amordaçou rimas e amarrou músicas
E ainda não satisfeito
Acabou com o sonho de pequenos versos
De um dia se tornarem lindos sonetos

Porém por onde entra a crueldade
Entra de tudo.
E num deslize das forças apoéticas
Entreaberta tinha ficado a porta do seu coração.

Sorridentes confraternizavam aqueles que tinham conseguido
Remover a poesia do nosso “ex poeta”
A música entoada na tal festa parecia se dilatar compulsivamente
Frestas, cantos, espaços, salas, porta...
...Entreaberta!

E num súbito reencontro com a magia da poesia
Parecia acordar de um sonho
Que beirava um grande pesadelo.

Por via das dúvidas:
Sinal da Cruz, terço, rezas...
Passes, meditação, mapa astral...
Caminho de Santiago, Jerusalém, Orixás...

Munido de energia, livros e Poesia
Percebeu que o seu caminho era a trilha do amor
E satisfeito com a descoberta
Voltou a compor.



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Plastificada

Bem plastificada era como o jovem sedutor a desejava
Qualquer outro ar, que não o saído de seus pulmões
Intruso era considerado
Quando aereamente tentava dar o ar de sua graça

Ninguém por perto chegava
Longe estavam todos os pretendentes
Assim como o verdadeiro sentimento
Do seu plastificado amor

O jovem que tanto arquitetou
Parecia estar cada vez mais seduzido
Pela sua aprisionada paixão
Como prova de paciência e bondade

Retirava tal invólucro todas as manhãs
E curtia assim o seu estático momento de amar

Mas quando aromas vizinhos eram sentidos
Rapidamente em tardes transformavam-se as manhãs
E o seu amor voltava inerte ao seu estado bruto
Plastificado

De tanto respirar
Parecia sobreviver a cada dia
O seu amor
E num súbito desejo irrefreado
O jovem enamorado
Mais uma vez desnudou
Sem pudor

E aquele que seria o seu amor
Dessa vez mal era vista
Nem respirava
Já inexistia

Sumiu.


terça-feira, 28 de junho de 2011

Tem gente que é pra sempre

Na alternância entre Sol e Lua no céu

Muito acontece na vida da gente
Pessoas surgem sabendo que em breve vão sumir
Mas outras somem tendo no coração que um dia vão voltar.

Nem sempre um luar traz momentos românticos
Nem sempre um término termina um sentimento
Nem sempre é pra sempre.

Como numa grande mágica a gente vai se encontrando na vida
Truques aqui, cartinhas na manga, pombos que viram flores
E flores que viram você.
O Mágico nunca revela os seus segredos.
Cabe a nós vivermos essa magia
...pelo menos até quando a mágica durar.

Há muitas pessoas por ai.
Muitas.
Sentir pulsar o coração por uma delas faz parte da mágica.
É a magia da vida.

Em algum momento da sua vida se pulsou o coração
Saiba que viveu a mais bela das magias.
E à pessoa que lhe fez pulsar
Sorria sempre que o encontrar em seus pensamentos.

Ao fim de tudo a magia deixa coisas boas
Os agraciados nem sabem ao certo o que sentem
Memórias do que passou se chocam com as incertezas do futuro
Mas uma coisa é certa:
Tem gente que é pra sempre.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Como é simples o amor

Quero falar de amor.

O amor é simples.

Qualquer um pode falar dele.

Ele não liga onde vai estar; apenas se importa se vai estar.

Cabe nas palavras, nos espaços, nas falas, nas pausas, nas respirações (principalmente as mais ofegantes).

Não entra em discussões.

Às vezes as palavras entram.

Aproveitando-se do seu dom gramatical desatam a falar... a pronunciar e a escrever, porém esquecem que muitas coisas são ditas sem dizer.

O amor é assim:

Está presente onde há palavras, está presente onde há espaços, onde há amizade, onde há gentileza, onde há nobreza, companheirismo, bondade, sorrisos, olhares, alegria, caridade, natureza, fé

E está ausente onde não há simplicidade.



terça-feira, 20 de julho de 2010

Sexto Pedaço

Ele a conhecera em Fevereiro daquele ano
Quando ela o notara Abril já se fechava

Longe ficaram...
Trocaram pensamentos
Sonhos trocaram também
Mas longe continuaram...

Decidiram trocar algo mais legível para aquela situação
Emails
Um atrás do outro forram amarrotando as caixas de mensagens.


Do outro lado de onde ele estava, ela morava
No oposto de onde ela andava, ele residia

Cruzes! Eles não se cruzavam.

Num hiato entre um email e outro, ele relia todas as mensagens que dela recebia
Cada mensagem enviada era chamada por eles de “pedaços”
Pedaços deles mesmos

Mas o sexto pedaço que ele preparava era especial:

Abrindo aspas daqui pra frente...

Já é o sexto pedaço de mim que te envio. Confesso que eu to ficando bem viciado em tudo isso.
Quando cada pedaço de mim chega ao destino parece que eles se sentem em casa na sua presença.
E não pense que eu não me comunico com o primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto pedaços meus enviados anteriormente a você. Eu me comunico, sim
Semana passada me comuniquei com eles, todos disseram que estão com saudade de mim, porém que não largariam sua presença de forma alguma, já se habituaram a você, ou seja, são doidinhos por você, assim como o dono deles.
Nossa, meus pedaços de mim estão cada vez mais indo pra ai, o que sobrará de mim? Acho que vou me enviar por inteiro, e quando ai chegar, você terá que juntar cada pedacinho... e eu me tornarei novamente um só pedaço... pronto para te amar.

... A contra gosto fechando aspas.



sábado, 12 de junho de 2010

Te Pintei

Pincelada de tinta conhecida...

Te pintei

Com a sobra da última pintura

Inacabada

No torto quadro

Pendurado

Suspenso por enferrujados

Que seguravam

O que não suportei

Na parede da casa alugada

Que nunca foi minha

Nem quando lá

morei

Dali em diante

Eu sabia

Percebia

Que mesmo pintando um novo quadro

Por cima daquele que já existia

A minha tinta nunca alcançaria

A textura dos outros dias

Resquícios de tintura antiga

Permeavam a aquarela

Que em sonho eu pedia

Para que um dia

Fosse minha.

Sem rasuras de outrora

Sem rabiscos

Sem nada.

Um quadro branco

Uma tela pura

Era o que eu desejava encontrar

Quando a tua paisagem

Se coincidiu com o meu olhar.


Relatório

Por que ela inventou de sair hoje?
Não tá vendo que a chuva tá forte...
É... passou, sim. Mas ela pode voltar.

E se voltar, você pode ficar doente,
gripada,
pneumonia,
enxaqueca,
sei lá.

Tá, mas não demora muito. A rua tá perigosa esse horário.
Só vão vocês duas?
"Será que vai mais alguém"?

Não, tudo bem, se divirta.
Ah, é... se divirta.
Eu vou ficar aqui trabalhando ...
"...neste relatório que eu inventei de criar só porque você inventou de sair".


Ah!
Dois encontros,
Ah!
Alguns olhares
e poucas dezenas de beijos impulsivos
não parecem me dar o direito de decidir algo em seu dia-a-dia.

Talvez eu precise te dar mais carinhos, mais afagos, mais beijinhos,
"Claro, sem parecer dengoso ou carente demais"
... Para aí então eu ter o direito de pelo menos decidir como será sua noite de Sexta-feira.

Nossa, hoje é Quarta e você decidiu ir nessa festa ridícula,
baladinha sem graça,
lotada de machos sedentos por fêmeas dançarinas
... De Salsa.

Desculpe, eu extrapolei.

Mas em plena Quarta-Feira percebo
que falta muito pra chegar na sua Sexta
Não, não. Não estava falando com você, meu bem. É que eu tô escrevendo o relatório.
Já ta pronta? Tá, sim. Tá bonita. "Até demais"!
É... divirta-se!?
É... É isso. "Eu acho".

Ela não me chamar pra ir com ela...
Eu também nao queria, nem me ofereci.
Não quero que ela pense que eu sou grudento
Ainda mais uma mulher como ela,
que dá vontade de grudar.

E ainda tá muito no início pra ficarmos com discussõezinhas bobas.
A gente não tem nada mesmo...

Oh!
Foram apenas dois encontros.

Alguns olhares
e pouquíssimas dezenas de beijos impulsivos...

Isso não é nada
Eu não ligo mais pra isso.
Nem toco mais nesse assunto.
Não digo mais nada a ela.
Ela que cuide da sua própria vida.


- Pra quê você foi inventar de sair?
 ... hein?