Caetano cantava em Paris
a mesma música que eu assobiava na infância.
Por um amor assim delicado... a gente faz tudo
[inclusive nada]
Se a canção é de verdade
Há de ser cantarolada em diversos corações
Gadú encantava em Lisboa
com a mesma canção que eu mal conhecia há um ano atrás
Todos caminhos trilham pra gente se ver
...se encontrar, se desviar e novamente se achar
Se a canção é de verdade
Há de ser cantarolada em diversos corações
Ivan poetizava em Salvador
Os versos mais singelos que já pude escutar.
Vieste, vieste de forma tão especial
...que preferi guardá-los para um momento que os merecessem
Se a canção é de verdade
Há de ser cantarolada, uma única vez, num só coração.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Vontade
Quando ela passa, pode ter certeza que vai demorar pra voltar.
Mas você também é culpado pela sua saída "inesperada".
Tem que preparar o terreno, fazer sala e esperar ansioso pela sua ilustre visita.
Tem vezes que ela demora de chegar deixando todo mundo desesperado ou sonolento.
Mas também tem dias que ela vem numa velocidade gigantesca
E do mesmo jeito que chega
Vai.
Mas como segurá-la? É tão difícil assim?
Prática, disciplina e persistência.
Agindo assim pode ter certeza que ela sempre estará com você.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Nada, Romântico!?
Não vou abusar do romantismo
Nem vou tecer singelos comentários sobre você
Também sei que não devo te encher de flores
Tampouco te lambuzar de bombons
Estourar champagne para os nossos brindes está fora de questão
[Mesmo em datas comemorativas]
Falar baixinho no seu ouvido não é uma boa idéia
Gritar aos sete ventos o meu sentimento? Piorou!
Com uma aliança na mão te pedir em casamento não deve ser a solução
Quem sabe na outra mão um anel de noivado... será que resolve?
Absolutamente!
E depois de tantos pensamentos, lá foi ele preparar a sua serenata ultra romântica, recheada de bombons, flores, champagne...
... berrou, agora aos oito ventos, o quanto a amava, em em fração de segundos a pediu em noivado, e antes mesmo da resposta ser pronunciada, casou-se.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Reescritor
Parecia que nem sabia
E realmente não sabia
E de tanto não saber
Invadiu o pedaço de papel
[Que descansava em sono estático]
Com uma cortante
BIC cheia de azul para dar e vender
Era todo dia a mesma coisa
Pilhas e pilhas de informações sem nexo
Ele pousava
Aterrissava
Todas suas não-criativas idéias
Naquilo que quando era madeira...
Ah... Valia muito mais.
Os parágrafos se amontoavam
As cargas de caneta também
Os papéis depois de escrito ficavam mais vazios do que quando eram virgens.
As palavras feriam sem dó
Cada pedacinho de papel
[que corajosamente ainda esperava a picada da agulha de tinta]
Sentia na pele
Na sua textura
As loucas idéias do seu escritor, do seu re-escritor
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Me Apetece
Quando um bocadinho de tempo passa
e transforma em passado a noite bem amada
Apetecer conjugo em mente
durante todo dia, pá
...que vem pela frente
-Que giro verbo
Penso, enquanto a girar
em noite transforma-se a tarde
em presente o passado, mais uma vez...
... e mais uma vez posso dizer:
Me apetece você!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
O Sono me f u g i u
O Sono me fugiu quando num momento sonolento o perdi de vista.
Onde ele estava?
- Malcriado!!!!! Eu o chamava,
quando sorrateiramente o espreitava da janela de casa.
Ele se se encontrava dormindo o sono dos injustos
em casas que não me pertenciam.
Ah, danado.... próxima noite te pego... te coloco no eixo...
nessa não dá mais... me traiste com outro rapaz...
e com outra moça.... e com outro rapaz... e com crianças...
e com idosos... e com o cachorro que há pouco ladrava pela madrugada...
até com porteiros..... do meu prédio, inclusive...
ai , ai, ai ...
A próxima noite há de chegar.....
triiiiimmmmm trimmmmmmmmm
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Como é simples o amor
Quero falar de amor.
O amor é simples.
Qualquer um pode falar dele.
Ele não liga onde vai estar; apenas se importa se vai estar.
Cabe nas palavras, nos espaços, nas falas, nas pausas, nas respirações (principalmente as mais ofegantes).
Não entra em discussões.
Às vezes as palavras entram.
Aproveitando-se do seu dom gramatical desatam a falar... a pronunciar e a escrever, porém esquecem que muitas coisas são ditas sem dizer.
O amor é assim:
Está presente onde há palavras, está presente onde há espaços, onde há amizade, onde há gentileza, onde há nobreza, companheirismo, bondade, sorrisos, olhares, alegria, caridade, natureza, fé
E está ausente onde não há simplicidade.
A Volta
Posso não ter escrito o que já escrevi
Como também posso não ter dito aquilo que sempre falei
Sem dúvida deixei de repetir o que sempre fazia
Não comentei o que pra mim já era obvio
Devo até ter me lembrado do que já tinha esquecido
Ou esqueci o que para mim era tão fácil lembrar
Dias passaram dentro de um mês que eu nem lembrava que existia
Tampouco freqüentei o pequeno calendário que no mês passado havia
O “há tempos” para mim foi ontem
E quem sabe o hoje chegue em breve, num próspero futuro que nos espera.
Voltei
Não li, não reli, não mexi, remexi, não corri, nem andei
Mas se uma certeza quiseres:
Ah, eu amei!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Títulos
Chega em casa; abre a geladeira; come tudo que encontra; vai pra sala; senta-se no sofá, fecha a geladeira; encontra um biscoito ainda não comido totalmente; volta pra sala; concentra-se e começa a escrever.
E o texto de hoje é...
Ok, ok... é uma crônica! Desde já, preparem-se: daqui pra frente vou berrar e espernear como o Jabor. “Oh, Senhor”, resmunga o encurralado leitor (que na verdade nem existe ainda).
Título: Crônica
Palavra, vírgula, palavra...
Não, não. Na verdade esse título não condiz com a história: aquela da velhinha que sofre de doença crônica. “Oh dó”, balbucia o triste e encurralado leitor”.
Título: Doença Crônica
Palavra, vírgula, palavra, ponto de seguimento...
Alto lá! Não é nada disso! Nem crônica, tampouco doença crônica. Tudo não passa de uma história cômica, com início, meio e fim. “Que perda de tempo”, pensa o triste, encurralado e agora pensativo leitor.
Título: História Cômica
Palavra, vírgula, palavra, ponto de seguimento, parágrafo...
Que previsível! Estrelato literário escrevendo historinhas cômicas? Impossible! Falta originalidade. “Neologismos onde estão vocês”, se questiona o leitor já cheio de adjetivos.
Título: História Mômbida!
Palavra, vírgula, palavra, ponto de seguimento, parágrafo, ponto final.
Sampinha
Sampinha, querida!
Pra que pensar em te deixar
Se já me deixaste bem antes
Não, não volte atrás
Oh, gatinha nublada!
Não chores além da garoa já tão precipitada
... Não a use como lágrimas
Sim, eu devo confessar:
Há uma nova, mais ensolarada, prestes a tomar o seu lugar
Mas para essa nova, um conselho:
Não me prenda
Não me esfrie
Nem me cale
Anotou tudo?
Mais uma pra você anotar:
Fronteiras, para mim, sempre mudam de lugar.
Pra que pensar em te deixar
Se já me deixaste bem antes
Não, não volte atrás
Oh, gatinha nublada!
Não chores além da garoa já tão precipitada
... Não a use como lágrimas
Sim, eu devo confessar:
Há uma nova, mais ensolarada, prestes a tomar o seu lugar
Mas para essa nova, um conselho:
Não me prenda
Não me esfrie
Nem me cale
Anotou tudo?
Mais uma pra você anotar:
Fronteiras, para mim, sempre mudam de lugar.
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