No dia que for para ir
Deixe um bilhete bem bonito
Cheio de dizeres de despedida
Mas não se esqueça
Que no verso há mais espaço
Desde que seja do seu agrado
Para você voltar, se não for com um beijo
Com aquele singelo sincero abraço.
sábado, 27 de junho de 2015
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Olhar seu
Todas as histórias românticas cabem num só olhar seu.
O beijo de Julieta e o bailado da bela com a fera
cabem num olhar seu
O desejo desmedido daqueles do Moulin Rouge
acredite, também está aí nesse seu olhar
Quando o Titanic afundou, você não sabe - mas eu sei,
que ele - de forma desmedida - tirou, por um segundo,
o seu olhar, do olhar seu.
(Pildro)
O beijo de Julieta e o bailado da bela com a fera
cabem num olhar seu
O desejo desmedido daqueles do Moulin Rouge
acredite, também está aí nesse seu olhar
Quando o Titanic afundou, você não sabe - mas eu sei,
que ele - de forma desmedida - tirou, por um segundo,
o seu olhar, do olhar seu.
(Pildro)
domingo, 21 de dezembro de 2014
Metáfora
Enquanto te beijava, sonhava.
Te preenchia, te emoldurava
Também te pertencia enquanto metáfora
Se escondo o óbvio, garoto
Por não saber o que sinto
- Não é culpa minha
Sussurrava risonho o destino
Se te pertenço sem saber
Como haveria algo entre nós acontecer
Se um dia o realismo – que não seja fantástico – nos descrever
Quem sabe daí então haverei de me perder
E finalmente me encontrar nua e sua
em você.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Amor pra ninguém
O Amor que não existe
Que nunca foi inventado
Que vem após o fato consumado
O amor que eu nunca lhe ofereci
O amor que eu nem sei se tenho
E que me falta até seu significado
Dizem que amam por aí
Sugerem que amam por todo lá
Confuso, curioso, estranho
Nem sei ainda o que é amar.
Amar não é pra alguém
Amor é pra ninguém
É quando não há
Que surge então
A real possibilidade de amar
domingo, 4 de agosto de 2013
Sujo de sonho
Um terço de vida
Momentos rarefeitos
Um peso de vida
Bússola travada
Ponteiros desapontados
Um vão sem fim
Desalimentado de fé
De sorrisos
E de sossego
Olhos fitando o tempo
À espera da tal virada
Os pés tocavam o chão
Sujo de sonhos
domingo, 10 de março de 2013
Ataque
Pegou um estilingue, uma vara, um martelo.
Não adiantou.
Tentou então com uma faca, uma espada, um tijolo
Também nada.
Sem paciência pegou seu arco e flecha, seu revolver, um canhão
Nada acontecia.
Respirou, sentou. E com um lápis a mão desferiu violentamente vários golpes de palavras
Levando até o mais temível dos lutadores do coração...
Ao chão!
Não adiantou.
Tentou então com uma faca, uma espada, um tijolo
Também nada.
Sem paciência pegou seu arco e flecha, seu revolver, um canhão
Nada acontecia.
Respirou, sentou. E com um lápis a mão desferiu violentamente vários golpes de palavras
Levando até o mais temível dos lutadores do coração...
Ao chão!
sexta-feira, 8 de março de 2013
Esconderijo
Em cima da mesa, no canto da
porta entreaberta
Sobre uma leve pintura que despistava
o passado
Adormecia a única folha de
papel
Que não tinha sido arremessada
para longe dos domínios do velho escritor
As suas vizinhas tinham sido
transformadas em cartas, bilhetes, papeis que adornavam ramalhetes e
guardanapos
Nunca mais gastaria a pouca
força de seus punhos com movimentos que lembrassem qualquer forma de escrita
Nas madrugadas esquecia-se das
promessas feitas e lembrava seu passado de jovem escritor
Imaginava, como num sonho
lúdico, tudo que podia fazer dando luz a suas criações
Antes do ponto final decidiu se
aventurar no traiçoeiro jogo das palavras
Dessa vez se precaveu; afinal
de contas, ser reconhecido novamente, jamais.
Pseudônimo
Esqueceu-se de ser canhoto
E tratou de aprender novos
movimentos com a munheca.
Ele não poderia ser descoberto.
Uma imagem a zelar, um medo de
se expor e uma imensa vontade de perceber que alguém lhe dava valor.
Decidiu suprir sua carência
emocional namorando todas as palavras que surgiam em sua mente carente de
descanso.
Sentou-se na mesma poltrona de
antigamente com toda sua insegurança e sonho.
O lápis tinha vida própria na
mão do novo escritor que acabava de surgir. Mais um escritor no mundo, que
beleza!
Era um sujeito diferente,
ousado em suas artimanhas e capaz de expor toda profundeza que a sua aparente
superficialidade não demonstrava.
O assunto era sempre o mesmo.
Os personagens, repetidos. O enredo igual. Porém, canastrão como tal inventava
formas variadas, adornadas e enroladas de dizer a mesma coisa...
O mesmo assunto...
O mesmo sentimento...
“talvez me esconda nos meus
escritos
talvez
te esconda nos meus escritos”
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O Senhor do Amor
Soube nos búzios que
o ano seguinte seria, no mínimo, um máximo
Observando atentamente seu mapa previu que o amor estaria em
evidência
As cartas sugeriam acontecimentos marcantes, mas nada muito
explícito
Não conformado com todas aquelas explicações abstratas
Correu até o vidente mais famoso do bairro
Antes mesmo de sua chegada triunfante, chegou a tal mensagem
vinda além do além
Numa caligrafia impecável apenas se percebia a palavra “amor”.
Ainda sem entender o que aquilo significava
O curioso moço teve ainda que acudir o médium, que desmaiado,
após tanto esforço
...despedia-se dessa existência mundana.
Oh Céus! Tamanho esforço teria sido em vão?
Não! Pelo menos a palavra “amor” tinha sido escrita pelas
mãos do ex-vidente do bairro.
Ainda não conformado com todas aquelas explicações baratas
O sujeito dessa história invadiu centros espíritas , templos
e terreiros
Analisou profecias, livros sagrados
E até tentou psicografar os outros dizeres daquele médium
que morreu no outro parágrafo
Depois de entoar mantras desconhecidos para os próprios
budistas
Decidiu utilizar a única mensagem que tinha conhecimento até
então
E repetindo exaustivamente para não esquecer,
Toledo pronunciava o tal “amor”.
Era amor pra cá
Amor pra lá
Amor para todos os lugares
E para quem quisesse.
E para quem não quisesse também.
Levando ao pé da letra se apaixonou por todas
E quando não se apaixonava, adorava.
E quando não adorava, amava.
Verbos não faltavam para o novo Senhor do Amor.
E eis que chega a tal noite
Em que vestido de longos cabelos pretos chega o tal amor
Talvez o único e verdadeiro
Ele a tratou como mais uma
E mais uma ela foi
Embora.
O seu amor.
sábado, 10 de novembro de 2012
Quase
Com um não mais cheio de sim,
Negou qualquer possibilidade de mudança
O seu colorido mundo não precisava do preto e branco daquele
rapaz
Ele era qualquer um daqueles, que fazia de sua vida uma
conquista
Mas na dela, uma cruzada.
Com todas suas armas a postos
Tratou de diminuir milimetricamente a amplitude de seus
sorrisos
Afinal de contas, essa seria uma arma letal contra qualquer
sentimento vindo de lá
E de cá, o maléfico sentimento desferido pelo capataz de
brilhante olhar
Parecia minar qualquer resistência que ainda lhe restara
Um crime
Um pecado
Dois absurdos eles eram.
Com um sim temeroso pelo não alheio
Afirmou a ela todas as possibilidades de mudança
Um balde de tinta pretendia arremessar bem naquela direção
Ela era uma daquelas que fazia da sua vida um desastre
Mas na vida do narrado rapaz, um milagre.
Com todas suas flores no bolso
Tratou de diminuir drasticamente a distância
Entre o coração pretendido e o que ainda pretendia
O plano do rapaz estava arquitetado
Nada poderia dar errado
Confiava no olho a olho
Pelo menos num dos
E sem enxergar o que ele via
De nada valia tudo aquilo
A poesia feita pra ela era indecifrável
Para percebê-la só alcançando um singelo estado
Um pedaço de simplicidade apenas
Com os olhos nus ele chorou seus sentimentos
Estrofes, rimas, versos sem pontuação
De nada adiantava
Os dela continuavam vestidos.
sábado, 27 de outubro de 2012
Toledo, o Encantador
Com a mais transparente de todas as peles
Era panorâmica a tristeza que o embalava nas noites de
sábadoO curioso é que isso era imitado pelos outros dias da sua movimentadíssima semana.
Toledo não era qualquer um.
Também nenhum queria sê-lo
Com seu título de nobreza impusera respeito aos demais
Era o senhor dos foras.
Desescolhido por todos os cupidos existentesTambém nenhum queria sê-lo
Com seu título de nobreza impusera respeito aos demais
Era o senhor dos foras.
Tratou de se preparar, pois algo lá na frente poderia dar certo
E deu...
Errado como sempre.
Duque das incertezas ele inspirava qualquer um
Afinal de contas, atingir proficiência máxima em nãos, era o que há
Cansado de irradiar sentimento por vias cardiológicas
Tratou de usar um pouco mais, a mente em suas próximas conquistas.
Fisicamente se preparou tornando-se um lutador de corpo inimaginável.
Seus dentes brilhavam com o mais caro dos cremes dentais
Já seus olhos, refletiam o azul mais azulado que podia haver
Afinal de contas, atingir proficiência máxima em nãos, era o que há
Cansado de irradiar sentimento por vias cardiológicas
Tratou de usar um pouco mais, a mente em suas próximas conquistas.
Fisicamente se preparou tornando-se um lutador de corpo inimaginável.
Seus dentes brilhavam com o mais caro dos cremes dentais
Já seus olhos, refletiam o azul mais azulado que podia haver
Sem contar com os cabelos penteados “a la príncipe” que ele possuía.
Sem pestanejar, ainda juntou todo seu carisma e o colocou numa mala
Toda oca, esta foi entregue à sua amada da vez.
Vale ressaltar que antes da entrega, percebendo a pequeneza da mala
Nosso Visconde dos encantamentos se jogou lá dentroSem pestanejar, ainda juntou todo seu carisma e o colocou numa mala
Toda oca, esta foi entregue à sua amada da vez.
Vale ressaltar que antes da entrega, percebendo a pequeneza da mala
Era peso que ele queria.
Se tivesse sido via correio, tal pacote voltaria ao remetente
Caso tivesse ido por email, ah, este seria inválido
Sua perecível mala de si mesmo estava com os dias contados
Mas nada de tragédia
Isso era comum na vida do Toledo.
Mais um adverbio de negação para sua coleção
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