segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Olhar seu

Todas as histórias românticas cabem num só olhar seu.
O beijo de Julieta e o bailado da bela com a fera
cabem num olhar seu
O desejo desmedido daqueles do Moulin Rouge 
acredite, também está aí nesse seu olhar
Quando o Titanic afundou, você não sabe - mas eu sei,
que ele - de forma desmedida - tirou, por um segundo, 
o seu olhar, do olhar seu.

(Pildro)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Metáfora

Enquanto te beijava, sonhava.
Te preenchia, te emoldurava
Também te pertencia enquanto metáfora

Se escondo o óbvio, garoto
Por não saber o que sinto
- Não é culpa minha
Sussurrava risonho o destino

Se te pertenço sem saber
Como haveria algo entre nós acontecer
Se um dia o realismo – que não seja fantástico – nos descrever
Quem sabe daí então haverei de me perder
E finalmente me encontrar nua e sua
em você. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Amor pra ninguém

O Amor que não existe
Que nunca foi inventado
Que vem após o fato consumado

O amor que eu nunca lhe ofereci
O amor que eu nem sei se tenho
E que me falta até seu significado

Dizem que amam por aí
Sugerem que amam por todo lá
Confuso, curioso, estranho
Nem sei ainda o que é amar.

Amar não é pra alguém
Amor é pra ninguém
É quando não há
Que surge então
A real possibilidade de amar




domingo, 4 de agosto de 2013

Sujo de sonho


Um terço de vida
Momentos rarefeitos
Um peso de vida

Bússola travada
Ponteiros desapontados
Um vão sem fim

Desalimentado de fé
De sorrisos
E de sossego

Olhos fitando o tempo
À espera da tal virada
Os pés tocavam o chão


Sujo de sonhos


domingo, 10 de março de 2013

Ataque

Pegou um estilingue, uma vara, um martelo.
Não adiantou.

Tentou então com uma faca, uma espada, um tijolo

Também nada.

Sem paciência pegou seu arco e flecha, seu revolver, um canhão

Nada acontecia.

Respirou, sentou. E com um lápis a mão desferiu violentamente vários golpes de palavras

Levando até o mais temível dos lutadores do coração...
Ao chão!



sexta-feira, 8 de março de 2013

Esconderijo



Em cima da mesa, no canto da porta entreaberta
Sobre uma leve pintura que despistava o passado
Adormecia a única folha de papel
Que não tinha sido arremessada para longe dos domínios do velho escritor

As suas vizinhas tinham sido transformadas em cartas, bilhetes, papeis que adornavam ramalhetes e guardanapos
Nunca mais gastaria a pouca força de seus punhos com movimentos que lembrassem qualquer forma de escrita

Nas madrugadas esquecia-se das promessas feitas e lembrava seu passado de jovem escritor
Imaginava, como num sonho lúdico, tudo que podia fazer dando luz a suas criações
Antes do ponto final decidiu se aventurar no traiçoeiro jogo das palavras
Dessa vez se precaveu; afinal de contas, ser reconhecido novamente, jamais.


Pseudônimo
Esqueceu-se de ser canhoto
E tratou de aprender novos movimentos com a munheca.
Ele não poderia ser descoberto.
Uma imagem a zelar, um medo de se expor e uma imensa vontade de perceber que alguém lhe dava valor.

Decidiu suprir sua carência emocional namorando todas as palavras que surgiam em sua mente carente de descanso.

Sentou-se na mesma poltrona de antigamente com toda sua insegurança e sonho.
O lápis tinha vida própria na mão do novo escritor que acabava de surgir. Mais um escritor no mundo, que beleza!

Era um sujeito diferente, ousado em suas artimanhas e capaz de expor toda profundeza que a sua aparente superficialidade não demonstrava.

O assunto era sempre o mesmo. Os personagens, repetidos. O enredo igual. Porém, canastrão como tal inventava formas variadas, adornadas e enroladas de dizer a mesma coisa...
O mesmo assunto...
O mesmo sentimento...


talvez me esconda nos meus escritos
 talvez te esconda nos meus escritos”

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Senhor do Amor



Soube  nos búzios que o ano seguinte seria, no mínimo, um máximo
Observando atentamente seu mapa previu que o amor estaria em evidência
As cartas sugeriam acontecimentos marcantes, mas nada muito explícito

Não conformado com todas aquelas explicações abstratas
Correu até o vidente mais famoso do bairro
Antes mesmo de sua chegada triunfante, chegou a tal mensagem vinda além do além
Numa caligrafia impecável apenas se percebia a palavra “amor”.

Ainda sem entender o que aquilo significava
O curioso moço teve ainda que acudir o médium, que desmaiado, após tanto esforço
...despedia-se dessa existência mundana.

Oh Céus! Tamanho esforço teria sido em vão?
Não! Pelo menos a palavra “amor” tinha sido escrita pelas mãos do ex-vidente do bairro.

Ainda não conformado com todas aquelas explicações baratas
O sujeito dessa história invadiu centros espíritas , templos e terreiros
Analisou profecias, livros sagrados
E até tentou psicografar os outros dizeres daquele médium que morreu no outro parágrafo

Depois de entoar mantras desconhecidos para os próprios budistas
Decidiu utilizar a única mensagem que tinha conhecimento até então
E repetindo exaustivamente para não esquecer,
Toledo pronunciava o tal “amor”.

Era amor pra cá
Amor pra lá
Amor para todos os lugares
E para quem quisesse.
E para quem não quisesse também.

Levando ao pé da letra se apaixonou por todas
E quando não se apaixonava, adorava.
E quando não adorava, amava.
Verbos não faltavam para o novo Senhor do Amor.

E eis que chega a tal noite
Em que vestido de longos cabelos pretos chega o tal amor
Talvez o único e verdadeiro

Ele a tratou como mais uma
E mais uma ela foi
Embora.

O seu amor.

sábado, 10 de novembro de 2012

Quase


Com um não mais cheio de sim,
Negou qualquer possibilidade de mudança
O seu colorido mundo não precisava do preto e branco daquele rapaz
Ele era qualquer um daqueles, que fazia de sua vida uma conquista
Mas na dela, uma cruzada.

Com todas suas armas a postos
Tratou de diminuir milimetricamente a amplitude de seus sorrisos
Afinal de contas, essa seria uma arma letal contra qualquer sentimento vindo de lá

E de cá, o maléfico sentimento desferido pelo capataz de brilhante olhar
Parecia minar qualquer resistência que ainda lhe restara
Um crime
Um pecado
Dois absurdos eles eram.

Com um sim temeroso pelo não alheio
Afirmou a ela todas as possibilidades de mudança
Um balde de tinta pretendia arremessar bem naquela direção
Ela era uma daquelas que fazia da sua vida um desastre
Mas na vida do narrado rapaz, um milagre.

Com todas suas flores no bolso
Tratou de diminuir drasticamente a distância
Entre o coração pretendido e o que ainda pretendia

O plano do rapaz estava arquitetado
Nada poderia dar errado
Confiava no olho a olho
Pelo menos num dos

E sem enxergar o que ele via
De nada valia tudo aquilo
A poesia feita pra ela era indecifrável
Para percebê-la só alcançando um singelo estado
Um pedaço de simplicidade apenas

Com os olhos nus ele chorou seus sentimentos
Estrofes, rimas, versos sem pontuação
De nada adiantava
Os dela continuavam vestidos.


sábado, 27 de outubro de 2012

Toledo, o Encantador

 
Com a mais transparente de todas as peles
Era panorâmica a tristeza que o embalava nas noites de sábado
O curioso é que isso era imitado pelos outros dias da sua movimentadíssima semana.

Toledo não era qualquer um.
Também nenhum queria sê-lo
Com seu título de nobreza impusera respeito aos demais
Era o senhor dos foras.
Desescolhido por todos os cupidos existentes
Tratou de se preparar, pois algo lá na frente poderia dar certo
E deu...
Errado como sempre.

Duque das incertezas ele inspirava qualquer um
Afinal de contas, atingir proficiência máxima em nãos, era o que há
Cansado de irradiar sentimento por vias cardiológicas
Tratou de usar um pouco mais, a mente em suas próximas conquistas.

Fisicamente se preparou tornando-se um lutador de corpo inimaginável.
Seus dentes brilhavam com o mais caro dos cremes dentais
Já seus olhos, refletiam o azul mais azulado que podia haver

Sem contar com os cabelos penteados “a la príncipe” que ele possuía.
Sem pestanejar, ainda juntou todo seu carisma e o colocou numa mala
Toda oca, esta foi entregue à sua amada da vez.
Vale ressaltar que antes da entrega, percebendo a pequeneza da mala
Nosso Visconde dos encantamentos se jogou lá dentro
Era peso que ele queria.

Se tivesse sido via correio, tal pacote voltaria ao remetente
Caso tivesse ido por email, ah, este seria inválido
Sua perecível mala de si mesmo estava com os dias contados

Mas nada de tragédia
Isso era comum na vida do Toledo.

Mais um adverbio de negação para sua coleção
 
 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Inesgotável Arte de Amar



  
Que seja durante cinco minutos
Ou que dure até após a eternidade
Seja se conhecendo nos acréscimos da vida  
Ou mesmo se desencontrando na tal maternidade

Que venha de mansinho como um trator
Ou, assim como a brisa, que cause espanto
Que tenha deixado marcas profundas em você
Ou que você nem lembre tanto assim

Que tenha transformado cada pedacinho seu
Ou que até hoje catando esses pedaços você esteja
Que seja lascivo, como nós nunca desatados.
Ou puros, como nós nunca desatados.

Que seja sendo o que for
Já que será o que tem de ser
E se a ordem das coisas não posso muito mudar
Fico cá modificando apenas a forma, o jeito,
A intensidade, a razão, a necessidade, a vantagem,
A vontade, a capacidade, a poética...
...De te amar.

Mentira.